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Cenas tristes
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
É triste (para usar uma palavra simpática) o comportamento do Presidente da República face à Lei da adoção por casais homossexuais e às alterações à Lei do aborto. É triste pelo enquadramento. É triste pela 'birra' do veto, sabendo-se que terá de as promulgar. É triste porque falta ao respeito a muitos milhares de portugueses. É triste porque não faz uma leitura isenta da constituição. É triste porque está de saída. É um triste!
Cavaco Silva poderia ter feito as coisas de outra maneira, sobretudo de forma mais digna para ele próprio. A rábula dos diplomas ficarem esquecidos na portaria em nada engrandece a figura do presidente. Não será por acaso que a abstenção está nos níveis em que está!
Cavaco veta adoção por casais do mesmo sexo e alterações à lei do aborto
Lei da adoção por casais gay ficou quatro dias na portaria de Belém
Cavaco vai ter de aprovar adoção gay e mudança na lei do aborto que vetou
Diogo Infante lamenta "tiro no pé" de Cavaco SilvaPublicada por Rui à(s) 17:52 | 0 comentários |
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A viagem de Peludim
sábado, 23 de janeiro de 2016
Um livro.
Um site (www.peludim.com).
Um conjunto de materiais para ajudar a trabalhar temáticas da Educação Sexual no pré-escolar e no 1º ciclo.
Publicada por Rui à(s) 11:10 | 0 comentários |
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Leitura obrigatória
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Entrevista da psicóloga Gabriela Moita ao especialista em Psicologia da Sexualidade Félix López, que esteve em Portugal para uma conferência sobre a ética das relações amorosas.Ler tudo aqui.Publicada por Rui à(s) 23:22 | 0 comentários |
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PIPO E FIFI: Prevenção de Violência Sexual para Crianças
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
O Espaço de Formação em Educação Sexual - EducaSex - em parceria com o Instituto CORES oferecem o curso: PIPO E FIFI: PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL PARA CRIANÇAS.O curso destina-se a pais, educadores, assistentes sociais e psicólogos. É gratuito, será ministrado pela autora do livro e tem o objetivo de criar estratégias educativas a partir da leitura do livro e suas variadas abordagens a partir do texto.
O curso inclui certificado de 10 horas. Todo o material virtual também será fornecido de forma gratuita.Vai realizar-se na semana de 18 a 23 de Janeiro de 2016. Inscrições aqui.Publicada por Rui à(s) 17:36 | 0 comentários |
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E se o seu filho fosse gay?
sábado, 5 de dezembro de 2015
Publicada por Rui à(s) 10:37 | 0 comentários |
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Dia Mundial de Luta Contra a Sida
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Como hoje se assinala este importante dia é importa refletir sobre alguns dados que têm vindo a público, quer do nosso país, quer internacionalmente. De resto, hoje faz sentido falar no VIH/Sida, mas nos restantes dias do ano também. Não basta fazer uns cartazes e distribuir lacinhos nas escolas: é necessário informar e esclarecer os alun@s, pois há evidências em como a mensagem não está a chegar (com qualidade) à totalidade da população escolar.
O Público online tem um infografia apelativa e bem feita que pode ser preciosa para trabalhar esta temática como os alun@s. (clicar na imagem)
Booklet com informações para mulheres jovens vivem com VIH/Sida. (clicar na imagem)Publicada por Rui à(s) 10:46 | 0 comentários |
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Educar para a igualdade (de género)
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Publicada por Rui à(s) 17:53 | 0 comentários |
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Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Neste dia, que se deveria repetir 365/366 dia por ano, destacamos um conjunto de notícias positivas e também algumas campanhas dedicadas à importante e urgente missão de acabar com a violência contra mulheres.Papa assinalou Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (aqui)
140 países em luta contra a violência sobre as mulheres (aqui)
Publicada por Rui à(s) 19:21 | 0 comentários |
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Homens, papéis masculinos e igualdade de género
sábado, 21 de novembro de 2015
O estudo Homens, papéis masculinos e igualdade de género de autoria de Leonor Rodrigues, Vanessa Cunha e Karin Wall, foi apresentado num workshop internacional sobre a mesma temática que decorreu no passado dia 19 de Novembro, em Lisboa.
Este estudo apresenta os resultados mais recentes (2014) do International Social Survey Programme - inquérito a uma amostra representativa da população nacional com 18 ou mais anos sobre o tema “família, trabalho e papéis de género”.
Em termos de resultados, denotam-se evoluções positivas, ainda que pouco significativas, comparativamente com os últimos dados recolhidos (2002).
Retirado do Público online. Retirado do Público online
A socióloga Karin Wall, coordenadora do estudo, aponta alguns sinais de mudança – pelo menos nos casais mais jovens. Acrescenta que “a cozinha é a dimensão da vida doméstica onde os homens marcam presença de forma crescente, quer dividindo tarefas, quer chamando a si a responsabilidade”, explicando que nos casais mais jovens o homem cozinha cerca de o dobro, em relação ao total de casais.
Ainda nesta temática, mas analisando os dados de outro estudo - o relatório do World Economic Forum (WEF) - conclui-se, no que concerne ao trabalho e à igualdade económica, que ainda há um caminho muito longo a percorrer. Segundo o Global Gender Gap Report que avalia 140 países tendo em conta a saúde, a educação, oportunidades económicas e poder político as mulheres não vão conseguir atingir a paridade económica antes de 2133! (Fontes: Público e Observador)Publicada por Rui à(s) 15:24 | 0 comentários |
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Voltamos ao século XXI
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Hoje, 20 de Novembro de 2015, é um daqueles dias que vai ficar assinalado para a posteridade. Porquê? Bem, desde logo porque vai passar a ser possível a adopção por casais do mesmo sexo, mas também porque foi revogado o pagamento de taxa moderadora na interrupção voluntária da gravidez. Claro que ainda há a discussão na especialidade, mas será quase impossível haver volte-face. Mesmo que o Presidente da República empate o processo!
Notícias: Público, DN, Expresso, ObservadorPublicada por Rui à(s) 20:23 | 0 comentários |
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Encontro "Sexualidade - Um direito para todos"
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
A APPDA Viseu (Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo) vai promover amanhã e depois (20 e 21 de novembro) um conjunto de conferências e oficinas técnicas sobre o tema da “Sexualidade um Direito para Todos”. Este evento é dirigido a Médicos, Psicólogos, Terapeutas, Professores e outros profissionais na área da saúde e da educação, estando também abertas ao público em geral.
Mais informações aqui.Publicada por Rui à(s) 22:15 | 0 comentários |
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Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Comemora-se hoje, pela primeira vez, o Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual. A comemoração deste dia é resultado da convenção de Lanzarote que se realizou no ano passado nesta localidade espanhola.
Diz-no o documento oficial:
"A exploração e o abuso sexual de crianças são ainda uma realidade trágica para as nossas sociedades. Constituem uma violação séria dos direitos das crianças e têm um efeito duradouro e de consequências prejudiciais para a vida inteira.
Para evitar estes crimes, processar os autores e proteger as vítimas, o Conselho da Europa e os seus Estados-Membros precisam de assegurar que os pais, educadores, organizações não-governamentais e decisores não se afastem do problema, mas que o discutam abertamente apresentando formas práticas de o resolver e tomar medidas concretas para resolvê-lo."
Os objetivos do dia Europeu são:
► Aumentar a consciência pública acerca da exploração e abuso sexual de crianças e da necessidade de impedir tais atos;
► Facilitar a discussão aberta sobre a proteção das crianças contra a exploração e abuso sexual e ajudar a prevenir e a eliminar a estigmatização das vítimas;
► Promover a ratificação e a aplicação da Convenção de Lanzarote – um instrumento único, juridicamente vinculante que obriga os estados Europeus a criminalizar todas as formas de abuso sexual de crianças e que aponta para formas de o combater.Documentação, informação e materiais aquiPublicada por Rui à(s) 10:09 | 0 comentários |
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Os ‘n’ sexuais. 8 caracterizações sexuais menos conhecidas
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Heterossexuais, homossexuais, bissexuais. Três categorias de identificação e caracterização sexual que conhecemos, ou das quais já ouvimos falar. E desde que Miley Cyrus se definiu como pansexual que acrescentamos uma nova categoria ao espetro do leque cada vez mais vasto de possibilidades de caracterização sexual.
É importante não confundir a orientação sexual, que tem a ver com a atração (ou falta dela) – por alguém do mesmo sexo, de um sexo diferente, pelos dois sexos, ou por ninguém – com a identidade de género, que tem a ver como nós nos sentimos no nosso corpo e com as coisas de que gostamos, explicou Maria Joana Almeida, psicóloga e sexóloga ao Observador.
“A identidade de género começa, tendencialmente, a construir-se durante a infância, e a orientação sexual começa geralmente a definir-se na puberdade. E nenhuma das duas é estanque,” reforçou a terapeuta.
A palavra-chave é fluidez. O aumento das possibilidades de auto-caracterização em termos sexuais manifesta também a vontade de “a deixar em aberto, porque a orientação sexual pode mudar ao longo da vida, pode ser fluida.” Apesar de existirem cada vez mais designações possíveis, em simultâneo, “há cada vez mais pessoas a viver a sua sexualidade sem rótulos,” lembrou Maria Joana Almeida.
O desafio é encontrar termos mais inclusivos embora o enquadramento destes novos termos como orientações sexuais ou comportamentos sexuais também ainda não seja consensual. Ao contrário do comportamento, a orientação sexual não é uma opção nem uma escolha. A menor rigidez entre categorias e designações permite múltiplas sobreposições. Isto é, alguém que se define como heterossexual pode também considerar-se demissexual ou sapiossexual. Mas que “novas” categorias são estas? (Ler o resto aqui)
Fonte: ObservadorPublicada por Rui à(s) 20:04 | 0 comentários |
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Museu Pedagógico e Interativo da Sexualidade
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
A sexóloga Marta Crawford pretende criar o Museu Interactivo e Pedagógico da Sexualidade. Explica que será totalmente online e terá como grande objectivos quebrar tabus e preconceitos e permitir que todos possam ser “sexualmente felizes”.
Para concretizar esta ideia esta psicóloga, sexóloga e apresentadora criou uma campanha de "crowdfunding". Pretende angariar 77 mil dólares. Se tudo correr como esperado este novo museu estará disponível em Março de 2016.Publicada por Rui à(s) 15:53 | 0 comentários |
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Chá ou sexo: só com consentimento
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Publicada por Rui à(s) 14:22 | 0 comentários |
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Oficina de Formação
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
A partir do próximo dia 6 de Novembro vou dinamizar a Oficina de Formação "Educação Sexual em Contexto Escolar - Vamos Falar Daquilo?". Terá lugar na Escola Secundária de Lagos e é organizada pelo Centro de Formação de Professores Dr. Rui Grácio.
Se residirem/trabalharem por perto, fico à vossa espera!
Publicada por Rui à(s) 18:45 | 0 comentários |
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PIPO e FIFI - prevenção da violência sexual na infância
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Esta é uma publicação online da ONG CORES, disponível para download gratuito e reprodução (sob autorização) também gratuita para órgãos de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, promoção social, saúde e educação. Sua venda é proibida.
Toda a informação aqui
Publicada por Rui à(s) 23:06 | 0 comentários |
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Sexualidade na deficiência
domingo, 11 de outubro de 2015
A temática da sexualidade na deficiência, sobretudo a intelectual, é a minha mais recente área de pesquisa. É uma realidade invisível aos olhos de uma grande parte da sociedade, embora esta invisibilidade seja, até certo ponto, premeditada. É uma realidade cheia de tabus e obscurantismo.Este artigo do Público online que, seguidamente, transcrevo aborda, a meu ver, muito bem a temática.
A Internet assume-se, para alguma desta população, como uma "forma alternativa de contornar um sistema silenciador", reconhece Ana Cristina Santos, que o concluiu no estudo Intimidade e Deficiência — Cidadania Sexual e Reprodutiva de Mulheres Deficientes em Portugal. Muitas das entrevistadas desta investigação encontravam em redes sociais ou sites eventuais parceiros. "Em situações de mobilidade reduzida ou de restrição imposta — no hospital, nalgum período de internamento prolongado ou por imposições familiares — a Internet era fundamental", sublinha a investigadora.
Actualmente, Lúcia Fisteus Marques está solteira, mas foi precisamente pela Internet, num "chat" de conversação, que começou a falar com um rapaz, sem qualquer tipo de limitação, com quem viria a namorar durante alguns anos. "Para testar disse logo ao rapazinho que era deficiente. Por incrível que pareça não fugiu." Muitas conversas param a partir desse momento, por isso há quem esconda a sua incapacidade. "Não o dizem porque têm na cabeça que a outra pessoa não vai querer nada. Porque, por exemplo, se a família não o aceita, o que farão os outros?", questiona a jovem de 29 anos com paralisia cerebral, acrescentando que se tratam de "situações que levam a um desespero e a uma fragilidade emocional grande".
Por outro lado, na falta de contacto físico, muitos refugiam-se na Internet para viver a sua intimidade, seja para sexo virtual, pornografia ou masturbação (quando tal é possível). Foi, aliás, no universo digital que João Lomar, de 42 anos, também com paralisia cerebral, aprendeu muita coisa. Sobre sexo. Costuma ir a "chats" procurar mulheres para conversar: "Gosto de o fazer, tenho prazer naquilo." Às vezes, as conversas aquecem; e quando assim é, masturba-se: "Não é vergonha nenhuma, é uma coisa normal." De quando em quando diz que tem deficiência: há quem continue a conversa, há quem fuja. Certo é que nos encontros presenciais que marcou, ninguém apareceu. Está longe de ser o cenário ideal, mas… "No meu caso é bom porque não tenho mais nada."
Um novo mapa das zonas erógenas
Também Ana Garrett se depara e deparou com muitas referências ao meio online, quer na sua actividade como psicóloga clínica no Hospital de Vila Franca de Xira, quer na sua carreira académica enquanto investigadora do ISCTE e, antes, em 2011, enquanto bolseira de doutoramento da FCT. "Sim há muitos encontros online, mas também há muito o 'fazer de conta' que são o que não são. Sobretudo os jovens, infelizmente. Sentem que é a única maneira de alguém gostar deles, de alguém se interessar por eles. Porque ali ninguém os precisa de ver em pé." É neste universo digital que se escondem muitos das pessoas com deficiência com orientações sexuais não normativas, universo a que Ana Garrett se quer dedicar numa próxima investigação. "Existem muitos, atrás de uma tela de um computador, de dia e de noite, em profundo silêncio para com o mundo exterior." Um deles — ainda que bem loquaz — é Bruno (nome fictício).
Em 2011, no âmbito do doutoramento feito na Universidade Fernando Pessoa, Ana Garrett desenhou um modelo de reabilitação da sexualidade em pessoas com alterações sensitivas, o Mo-Re-Sex (ouvir som à esquerda). Dirigido a todas as pessoas com deficiência, este programa (em pdf), que continua a ser aplicado em universidades, hospitais e instituições particulares de segurança social, permite aos participantes ter acesso a um mapa personalizado das suas zonas erógenas, de forma a usufruírem a fundo da sua sexualidade, "desfocalizando as limitações e aproveitando as potencialidades".
Porque se há zonas do corpo que não têm sensibilidade, há outras que são hipersensíveis ("o que também pode ser extremamente incomodativo", avisa a investigadora). "É preciso explorar tudo isto e mapear", explica Ana Garrett. Para uns, uma carícia numa cicatriz pode ser altamente excitante. Para outros, os sentidos são um mundo a explorar. "Há quem prefira ouvir, ver. Há muitos casos em que já não há sensibilidade peniana ou vaginal, mas a simples observação [do acto] é extremamente erógena. Isto é fabuloso e temos de pegar nisto e aproveitar." É o caso do supracitado Bruno, que sofreu uma lesão medular depois de um acidente de viação: "Eu costumo dizer que os meus genitais são as minhas orelhas e o meu pescoço (...) Não tenho o chamado orgasmo, não tenho ejaculação. No entanto, tenho uma parte que normalmente as pessoas não trabalham tão bem com ela... a minha cabeça."
Serve o aviso para o mundo em geral: há vida sexual para além do coito. "Como as pessoas com deficiência não são capazes de fazer amor de uma forma 'simples' ou numa posição convencional, foram impelidas para experimentar e desfrutar de uma vida sexual mais interessante", escrevia, já em 1996, o sociólogo Tom Shakespeare no livro "The Sexual Politics of Disability: Untold Desires". Estas pessoas fogem à "excessiva concentração nos genitais e na penetração", tão característica da sociedade hetero-normativa em que vivemos, conclui também Ana Cristina Santos. "Há uma obsessão do sexo penetrativo, uma lineariedade na forma como o sexo se deve processar. E estas mulheres [o centro da investigação Intimidade e Deficiência] desafiam-na. Demonstram, na forma como vivem a sua sexualidade, que estas questões são no fundo culturais."
Como se mudam as mentalidades?
João não esconde o pessimismo. Está "cansado da teoria" porque, na prática, tudo se mantém inalterável. "Nunca nenhuma mulher 'normal' me pediu para tocar nela. Isto não muda, a mentalidade não muda."
— Achas que algum dia vais ter uma relação estável?
— Com quem? — responde, demolidor.
O que é preciso fazer então para que "isto" mude? Para que a sexualidade na deficiência deixe de ser um tabu? Um dos principais obstáculos é, apontam as investigadoras, o sistema biomédico actual, que de tão concentrado na performance física se esquece de outras dimensões. "Entende-se que a sexualidade na deficiência não é uma problemática prioritária. Prioritário é que andem, falem porque isso é que dá nas vistas", considera Daniela Lopes, terapeuta ocupacional na Associação do Porto de Paralisia Cerebral. "A reabilitação é fundamental e salva vidas", reconhece Ana Cristina Santos, "mas não conta a história toda". Há que mudar a visão. "Neste momento o modelo dominante da deficiência é um modelo biomédico que considera a deficiência como um problema individual", explica a investigadora. Ou seja, a intervenção é feita ao nível de um indivíduo que "tem um problema" e que tem de "aprender a viver em sociedade", a adaptar-se. Mas a deficiência é sim "um problema colectivo". "Esquece-se totalmente o lado A disto: apostar numa formação social e cultural que permita a todas as pessoas valorizar a diferença".
Ao contrário dos restantes profissionais de saúde, geralmente "muito receptivos", os médicos, ressalva a terapeuta ocupacional Daniela Lopes, "não estão totalmente direccionados para trabalhar todas as problemáticas". "Olhar para alguém que não comunica verbalmente e explicar como toma a pílula, que métodos contraceptivos existem, quais são as soluções que tem. Isto não é ágil e devia ser."
Por isso, se os médicos não falam de sexo, há que pô-los a falar de sexo, exorta Ana Garrett: "Os próprios deficientes não devem ter vergonha de abordar os profissionais de saúde sobre este assunto. Não esperem que sejam eles a fazê-lo porque há muitos colegas meus que não falam sobre isso. Porque não se sentem preparados, não conseguem lidar bem com os seus próprios fantasmas, consideram-no um tabu. E porque não percebem que o padrão do ser humano engloba a sexualidade como comer e beber."
Depois, é certo que, a partir da maioridade, "não é importante envolver a família quando se está a falar de cidadania íntima ou do direito individual de as pessoas viverem a sua sexualidade", assegura Ana Cristina Santos. Acontece é que por cá muitas pessoas com deficiência — inclusive com incapacidade motora, o foco desta reportagem — vivem em meio familiar por diversas razões: falta de autonomia física, incapacidade económica e devido à "inexistência de um movimento de vida independente sustentado".
Nem sempre os familiares adoptam as melhores práticas para promover uma sexualidade saudável. Porque, por exemplo, se tornam hiperprotectores por recearem abusos; ou porque lhes reconhecem uma "sexualidade invisível". Nesses casos, poderiam ser promovidas acções de sensibilização dentro das famílias, mas também entre pessoas com deficiência e nas escolas. "É preciso vencer a utopia que existe educação sexual. Não existe. (…) Educar implica mudar alguma coisa", critica Daniela Lopes. A existência de assistentes sexuais é um outro aspecto defendido pelas entrevistadas.
No fundo, há que "mudar mentalidades" — aquilo em que João Lomar já não parece acreditar e que Lúcia estima só acontecer daqui a uns 50 anos. "Parece um cliché — e é — mas é muito complexo e demora séculos", reconhece Garrett. "A sexualidade tem de ser vista como um direito e uma componente saudável. E a partir daí esse direito não pode estar ameaçado pela circunstância de alguém ser 'deficientizado' ou não. É inegociável.", conclui Ana Cristina Santos.
"'Deficientizado'" e não "deficiente" — eis a terminologia que a investigadora defende. Porque o que "inabilita ou desabilita as pessoas é um sistema social, cultural, que, por regra, não acolhe a diversidade como uma mais-valia". Ou seja, é a própria sociedade que "deficientiza" as pessoas. "É", indica, por sua vez, Ana Garrett, "olhar para as potencialidades da pessoa com deficiência em vez de estar constantemente a apontar as limitações".
"É só uma característica", repete Lúcia. É esse o conselho que deixa, não aos portadores de incapacidade, mas a todas as outras pessoas. "Que comecem a olhar para a deficiência como uma característica. Como se vê a cor da pele ou os 'piercings'. É só uma característica."Publicada por Rui à(s) 22:44 | 0 comentários |
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As regras de segurança do meu corpo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Publicada por Rui à(s) 17:19 | 0 comentários |
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Consultar em caso de dúvida!!!
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Publicada por Rui à(s) 12:03 | 0 comentários |







