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  1. Igualdade de Género explicada pelas crianças

    sexta-feira, 9 de março de 2018


    A função: separar as bolas azuis e cor-de-rosa e colocá-las nos respectivos recipientes. Os trabalhadores: três pares de crianças, cada par composto por um menino e uma menina. A recompensa (isto é, o salário): um copo de gomas para cada membro da equipa. Afinal, os dois exerceram a mesma função, durante o mesmo período de tempo e com igual aproveitamento. Então porque é que o copo do rapaz está cheio e o da rapariga a meio?
    Explicam-lhes: “Molly, a razão de receberes menos do que o Thomas é por seres rapariga”. Continua a não fazer sentido, respondem, tanto eles como elas. “Isso não é bom”; “Não é justo”; “É só estranho”; “Isso é tão errado.”
    O vídeo é uma iniciativa do Sindicato do Sector Financeiro da Noruega para denunciar as diferenças salariais entre homens e mulheres. E não é uma questão de ver o copo meio cheio em vez de meio vazio: Portugal é o país europeu onde o fosso salarial mais se agravou.
    Segundo dados divulgados esta quarta-feria, 7 de Março, pela Eurostat, as trabalhadoras portuguesas ganham em média 82,5 cêntimos por cada euro que um homem ganha por hora. É uma diferença de 17,5 cêntimos, acima dos 16 cêntimos pagos a menos às mulheres na média europeia. Portugal tem ainda a quinta menor percentagem de mulheres no Governo da União Europeia. E se prestares atenção às placas toponímicas, vais reparar que só 15% das ruas com nomes próprios são de mulheres: "Santas, mães, rainhas"
    Estes são alguns dos títulos no destaque que esta quinta-feira, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, o PÚBLICO levou à primeira página. Porque vale a pena noticiar a desigualdade até todos os copos estarem cheios — ou pelo menos iguais.

    Fonte: P3

  2. O feminismo é para toda a gente

    segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

    Está-se a tentar recuperar o tempo perdido. Os anos, as décadas, em que o assédio e o abuso sexual de mulheres foram relegados para segundo plano, aligeirados, ignorados. “Erguemos vidas inteiras, famílias e comunidades em torno do buraco deixado pela ausência desta conversa”, sintetizou recentemente a escritora, jornalista e activista feminista inglesa Laurie Penny. Agora a discussão está em cima da mesa. Em Outubro, o novelo começou a desenrolar-se a toda a velocidade em Hollywood com o caso do produtor de cinema Harvey Weinstein. Seguiram-se denúncias em catadupa no mundo da televisão e do cinema, na música, nas artes visuais, no Parlamento Europeu, na política. Os meios de comunicação começaram a olhar com mais atenção para a realidade dos seus próprios países.

    Contudo, a discussão dominante continua a ser demasiado homogénea. Está centrada, sobretudo, nas experiências de mulheres brancas, que correspondem a certos padrões de beleza hegemónicos, que são de classe média-alta e cisgénero (quando a identidade de género de uma pessoa coincide com o sexo e género que lhe foram atribuídos à nascença). Não é, obviamente, uma questão de desvalorizar ou secundarizar a violência de que são alvo, mas sim de ir além de uma visão parcial sobre uma realidade com várias nuances. “Muitas vezes estas questões do assédio e do abuso sexual são vistas de forma linear, com homens-tipo e mulheres-tipo. Existe muita variabilidade dentro do assédio”, afirma Conceição Nogueira, docente da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto e doutorada em Psicologia Social, na área dos Estudos de Género. “Trata-se de dinâmicas sociais de género e de poder complexas. Isto perpassa todas as classes sociais, todas as profissões, todos os corpos, todas as idades. Existe aqui um mundo.”

    Um mundo onde a hierarquia social que determina quem se deve ouvir e em quem se deve acreditar vai também além do género. “Temos de pensar nisto de uma forma muito mais interseccional, senão a discussão avança pouco e quase não saímos da caricatura”, declara João Manuel de Oliveira, investigador em Estudos de Género no ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa e professor visitante na Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil. Reflectir sobre a violência de género a partir de uma “perspectiva binária” é “muito útil para perceber como determinadas sociedades acabam por recorrer a esse sistema para impor as suas normas, para reproduzir determinadas relações sociais”. Mas o mundo não vive assim — Portugal incluído. “Estas categorias sociais de género são intersectadas por outras, como a raça, a classe, a nacionalidade, a religião. Isso tudo influencia”, esclarece o investigador.

    O assédio — na rua, nos espaços públicos, no trabalho, na Internet — é simultaneamente um sintoma e um pilar estrutural das sociedades machistas, racistas, transfóbicas e androcêntricas em que vivemos. É uma cultura sistémica e profundamente enraizada; não é algo característico ou exclusivo de determinados contextos mediáticos e mediatizados como Hollywood. Para minorar e erradicar o assédio e o abuso sexual é preciso começar por desconstruir todo um sistema de opressões intercruzadas que os sustentam e perpetuam. “O assédio tem raízes muito densas. Se pensares de onde é que ele vem, as entidades que são submetidas a isso, como é feito, em que moldes, quais são as consequências. É muito complexo”, reflecte Odete C. Ferreira, DJ e performer de 22 anos para quem o assédio é “uma parte muito grande” e “muito horrível” da sua vida.

    "Há uma narrativa, mesmo nos manuais escolares, que apresenta o nosso corpo ao mesmo tempo como uma propriedade e como algo exótico e hipersexualizado.” Ana Fernandes, activista


    Fonte: Público |||| Ler todo o artigo aqui

  3. O título do post pode parecer exagerado, mas não é. Reparem que em Espanha se volta atrás na lei do aborto, retrocedendo-se a 1985! Já no Paquistão não se retrocede, continua tudo na mesma - proíbe-se as mulheres, digo meninas, de irem à escola. Se forem, atira-se a matar!

    Hoje, véspera de se conhecer o Nobel da Paz, a jovem paquistanesa Malala Yousafzai venceu o Prémio Sakharov - distinção de direitos humanos do Parlamento Europeu.
    Fala-se com insistência no nome de Malala, jovem de 16 anos, para receber o galardão da academia sueca em prol da Paz, ao que a própria responde que não merece, pois apenas defendeu que ela e as outras meninas possam ir à escola.
    Malala começou a ser conhecida aos 11 anos quando começou a escrever um blogue para a BBC, no qual descrevia a vida sob domínio dos talibãs no Swat, vale no noroeste do Paquistão onde vivia.
    Entre outras regras primitivas e absurdas, pelo menos à luz do mundo civilizado do séc. XXI, é negado o direito das mulheres à educação. Malala ousou apanhar o autocarro para ir à escola e foi alvejada a tiro por talibãs, há um ano. O resto da história já conhecem dos telejornais.
    Faz correr mundo a sua declaração nas Nações Unidas, que de resto faz de slogan do livro inspirado na sua história:
    «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo».


    Em Espanha algumas mulheres da organização Femen manifestaram-se, em tronco nu, nas galerias do Congresso de Deputados, contestando a proposta de reforma da lei do aborto e interrompendo, por momentos, a sessão de controlo ao Governo. Gritavam: "o aborto é sagrado". O ministro da justiça disse, entre outras coisas, apenas pretender defender os direitos das mulheres!
    Na reforma que o PP, partido no poder, pretende levar a cabo apenas será possível interromper a gravidez em três casos: violação (nas primeiras 12 semanas), dano para a vida ou saúde física ou psíquica da mãe e más formações físicas ou psíquicas do feto (nas primeiras 22 semanas), ou seja retroceder a 1985!

  4. Não é todos os dias que a Assembleia da República nos presenteia com resoluções que têm por objetivo contribuir para a igualdade entre homens e mulheres. Apesar de datarem de hoje e de ontem, foram aprovadas no Dia da Mulher - 8 de Março.
    São as seguintes:
    # Recomendação para substituição, em documentos oficiais, da expressão "Direitos do Homem" por "Direitos Humanos" (aqui)
    # Promoção da igualdade laboral entre homens e mulheres (aqui)
    # Combate às discriminações salariais (aqui)
    # Não discriminação laboral de mulheres (aqui)
    # Combate ao empobrecimento e à agudização da pobreza entre as mulheres (aqui e aqui)
    # Defesa e valorização efetiva das mulheres no mundo do trabalho (aqui)

  5. Dia Internacional da Mulher

    sexta-feira, 8 de março de 2013

    Ponto prévio: não concordo com esta discriminação positiva. O simples facto de existir este dia reflete o actual, sim o actual, estado de coisas. Se se pretende cessar a desigualdade assuma-se isso diariamente e não num dia pré-definido. E não é por decreto que se resolve o assunto. Veja-se a lei dos duodécimos: em muitos concelhos e freguesias, principalmente em sítios pequenos e/ou do interior, quase foi necessário clonar mulheres disponíveis para integrar as listas. Sei do que falo!
    Ao invés dever-se-ia apostar na formação para a igualdade de género das crianças logo desde o pré-escolar. O que só seria possível após uma formação (intensiva) dos professores e educadores. Dever-se-ia apostar em legislação que defenda a natalidade e o direito de todas mulheres a serem mães quando o desejarem e que a maternidade não seja vista como um empecilho laboral. Dever-se-ia fazer finca pé para que todas as formas de exploração laboral, sexual e social fossem realmente penalizadas. Dever-se-ia caminhar no sentido da igualdade de oportunidades ser algo natural e não uma imposição ideológica ou política.
    Mulheres e Homens: necessariamente diferentes, obrigatoriamente iguais.

    Ponto principal: fiz uma pequena recolha de notícias, abaixo listadas, sobre vários aspectos que deveriam ser analisados hoje, ao invés de músicas temáticas, eventos de ocasião ou debates inócuos.

    * Portugal cai 12 lugares em ranking sobre igualdade de género
    * Igualdade de género: Mulheres pesam apenas 6% na administração das cotadas
    * Carris, Auchan, BES e Santander não cumprem alguns direitos elementares (das mulheres)
    * Mulheres sofrem mais com a austeridade
    * Violência contra mulheres e fosso salarial são desigualdades que mais preocupam portugueses
    * Mulheres europeias trabalham mais 59 dias para terem mesmo ordenado dos homens
    * Associação recebe 19 denúncias por dia de violência doméstica

  6. Livro sobre Igualdade de Género na Escola

    quinta-feira, 20 de dezembro de 2012



     É publicado no início de 2013 o livro "Fazendo Género no Recreio: a Negociação do Género e Sexualidade entre Jovens na Escola" da autoria da socióloga e investigadora Maria do Mar Pereira, professora auxiliar na Universidade de Leeds, na Inglaterra.
    O livro resulta de um trabalho de investigação/acção desenvolvido pela autora em que confrontou os jovens de uma turma do 8º ano com os seus próprios conceitos de masculinidade e feminilidades.
     
    A autora diz, em entrevista ao jornal Ciência Hoje, que os jovens, com que trabalhou, quando confrontados com as ideias pré-concebidas sobre género “mudaram os seus comportamentos porque chegaram à conclusão de que não era necessário gozarem uns com os outros e fazerem todas estas coisas que faziam. As pessoas muitas vezes sentem que as ideias sobre géneros são uma coisa fortíssima, milenar e não há nada a fazer. É assim e pronto. E o interessante é que quando se cria espaço para conversar sobre estas questões, as pessoas percebem que estas normas, estereótipos, são arbitrárias".

  7. Igualdade de Género

    terça-feira, 18 de dezembro de 2012

    Um relatório recente da OCDE - Closing de Gender Gap: Act Now -, apresenta-nos duas conclusões a ter conta:
    1) As mulheres portuguesas são das que mais trabalham sem ser remuneradas.
    É sobretudo trabalho doméstico, o que demonstra o quanto ainda temos de melhorar. Em Portugal são quase 250 minutos por dia de trabalho não pago. Pior do que nós só Índia, México e Turquia.
    Parece que a igualdade fica à porta de casa!

    2) As portuguesas são prejudicadas pela maternidade.
    Infelizmente esta é uma realidade já conhecida há bastante tempo. É preciso lutar e sobretudo denunciar os abusos.
    Por certo que os tempos conturbados que vivemos irão conduzir a piores resultados. Oxalá que me engane!
     Fonte: Público

    Centremo-nos apenas num exemplo. [E este relatório tem tantos e interessantes.]
    No gráfico abaixo sobre a a possibilidade das mulheres abdicarem do trabalho, ou parte dele, em nome da família, compara-se a variação da opinião dos portugueses entre 2004 e 2010.
    Se por um lado somos dos mais conservadores em relação ao destino feminino, a milhas da Dinamarca e na Suécia. Por outro somos um dos países onde esta crença perdeu mais força.

  8. Guiões de Educação de Género e Cidadania

    quinta-feira, 29 de novembro de 2012

    A Comissão de Igualdade de Género disponibilizou, recentemente, guiões de educação de género e cidadania para os diferentes ciclos do ensino básico e também para o pré-escolar.
    Os guiões estão bem estruturados, são ricos, pelo que se constituem como um excelente material para os professores e educadores consultarem e usarem na sua prática lectiva.
    Disponibilizo abaixo os link's para fazerem download dos guiões.
              > Pré-Escolar <      > 1º Ciclo <       > 2º Ciclo <      > 3º Ciclo <

    Numa altura em que a violência doméstica e a igualdade de género são assuntos que, pelas piores razões, nos são trazidos diariamente ao conhecimento pelos media, esta temática é de vital importância, sobretudo junto de crianças e jovens - o futuro - para que as mentalidades mudem.
    Termino com uma pequena amostra do que se pode ler na introdução do guião do 1º ciclo:
    "A diversidade de características dos homens e das mulheres constitui um manancial de recursos de tal maneira valioso que a trajetória de cada pessoa ao longo do seu ciclo de vida está continuamente em aberto, construindo-se em função de uma multiplicidade de fatores históricos e contextuais. Estas possibilidades de desenvolvimento e de aprendizagem têm sido, no entanto, historicamente restringidas, sempre com base na defesa de estereotipias arcaicas, conducentes a desigualdades e discriminações, penalizadoras em maior escala para o sexo feminino."