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  1. 5.º aniversário

    quinta-feira, 10 de agosto de 2017

    ...e cá continuamos o trabalho em prol de uma efectiva Educação para a Sexualidade.

      

  2. É apenas mais uma família!

    segunda-feira, 7 de agosto de 2017

    Trystan Reese e o seu parceiro Biff Chaplow já eram pais experientes quando, no ano passado, decidiram que estava na hora de adicionar mais um membro à família. (...)


    A história da sua família, e a vontade de a tornar pública, demonstra uma mudança na forma da sociedade ver a gravidez e a educação de crianças por parte de homens transgénero como um estigma social. Este estigma já começou a desaparecer e grupos de defesa dos direitos LGBT têm lutado por mais aceitação.
    Talvez o maior de desejo do casal seja clarificar algo: eles não são os primeiros. Longe disso.
    “As pessoas acham que isto foi uma experiência que decidimos fazer”, diz Reese, acrescentando que testemunhou amigos passarem pelo mesmo processo depois da transição deles. “Isto já foi feito. É algo que tem sido feito de forma bastante segura e saudável. Não queremos ser classificados como pioneiros.”
    (...)
    Reese, agora com 34 anos, nasceu num corpo de mulher e assim ficou até aos seus últimos anos de adolescência. Aos 20 anos, depois de aconselhamento, começou a tomar hormonas e a identificar-se como homem. Cerca de oito anos depois conheceu Chaplow e, como recordam, foi “amor à primeira vista”. Ganharam a custódia dos sobrinhos de Chaplow em 2011.
    Quando decidiram ter um filho biológico, procuraram aconselhamento médico. Foram informados de que, como na sua transição Reese só se tinha submetido a terapia hormonal, o processo para se preparar para conceber uma criança não seria muito diferente do de uma mulher que usasse a pílula ou outros métodos contraceptivos.
    Cinco meses depois de parar de tomar testosterona, Reese engravidou. O casal optou por não divulgar o método de concepção escolhido.
    “Quando descobri, estava tão excitado quanto com medo”, explicou. “Estava tão feliz por passar por este processo com a pessoa que amo, mas ao mesmo tempo aterrorizado. Ia conseguir fazê-lo? A gravidez é difícil, o parto é difícil e esperava ser capaz de lidar com tudo.”
    Aos seis meses de gravidez, Reese respondeu a muitas curiosidades e clarificou algumas ideias erradas que as pessoas tinham em relação à sua gravidez num vídeo que publicou nas redes sociais. Sentado no sofá com uma barriga do tamanho de um melão escondida pela roupa, explicou como a testosterona que tomava lhe fez crescer barba e fez com que a sua voz ficasse mais grave, mas que o deixou com um útero e ovários funcionais.
    “Nunca desejei ter nascido rapaz ou ter um corpo exactamente igual ao do meu parceiro, que nasceu rapaz”, explica Reese. “Sinto-me bem com ser transgénero. Sinceramente, acho que é maravilhoso. E nunca quis que o meu corpo fosse diferente do que é.”
    “Se conseguirem perceber essa parte, então começa a fazer-vos mais sentido e a não parecer tão estranho eu querer conceber um bebé, pois não quero que o meu corpo não seja um corpo transgénero. Sinto-me bem ser um homem com um útero e que tem a possibilidade de ter um filho.”
    Reese contou que a sua gravidez teve todos os altos e baixos característicos de uma gravidez: os pés inchados, a fatiga, as mudanças de humor e toda a excitação de estar prestes a trazer uma nova criança ao mundo.
    A 14 de Julho, ao fim de 30 horas de trabalho de parto, nasceu Leo, um rapaz saudável com um pouco mais de 4kg.
    Reese contou ao Washington Post que nunca imaginaria que a sua vida desse uma volta tão grande quando começou a terapia hormonal há 14 anos.
    “Achava que nunca ia encontrar alguém por quem me apaixonasse e que quisesse ficar comigo. Nunca me imaginei a adoptar duas crianças tão brilhantes, engraçadas e encantadoras. O facto de que isto me aconteceu apanhou-me completamente de surpresa. Não é esta a história de transgénero que nos contam, que ter uma família é possível.”

  3. Dia Mundial do Orgasmo

    segunda-feira, 31 de julho de 2017

    Entrevista do site Lifestyle ao Minuto à sexóloga Marta Crawford, a propósito do Dia do Orgasmo.

    O orgasmo feminino não é um mito, nem tão pouco uma capacidade exclusiva de um pequeno grupo de mulheres, contudo, é preciso explorar o sexo além da penetração... e da vagina. Fala-se do ponto G, de um sem fim de posições 'milagrosas', mas a verdade é que tudo depende de uma pequena parte do corpo feminino capaz de fazer toda e qualquer magia acontecer: o clitóris.
    "O clitóris é o órgão sexual principal de uma mulher, tem o dobro das terminações nervosas do pénis, é uma zona muito poderosa que estimula a mulher e se não houver esse tipo de estimulação direta ou indireta do clitóris, através do sexo oral por exemplo, são muitas as mulheres que têm menos prazer e menos capacidade de atingirem o orgasmo".


    A sexualidade feminina continua a ser um tema não muito esclarecedor, nem mesmo para as mulheres. Porque é que é um não-assunto, se podemos assim chamar-lhe?
    Acho que hoje em dia já não é um não-assunto. As mulheres não dizem que se masturbam, mas os homens também não, mas eu faço sempre a piada de que os homens aprenderam a masturbar-se desde pequeninos. Começa na assistência médica, no pediatra que diz aos pais para puxarem a pele para trás, por isso, eles desde pequeninos percebem que ao fazer esse movimento ficam com o pénis ereto e que é bom, sabem que sabe bem. Em bebés e pequeninos sabe bem, mas mais tarde sabe muito bem.
    As mulheres não têm essa sorte, o médico não lhe diz para ir mexer no clitóris porque isso vai melhorar qualquer coisa, há sempre aquela ideia do 'não ponhas a mão aí porque parece mal' ou cheira mal ou não se mexe aí ou não sei o quê. Continua a haver esta ideia, na verdade, de alguma forma, não há muita igualdade no tratamento no sentido da assistência à masturbação. As mulheres são mais contidas, a vagina é mais interna, tem de se pôr o espelho para se ver tudo, no homem é tudo muito mais para fora, é tudo com mais facilidade, mas o que é certo é que as mulheres continuam a achar que o prazer tem de ser de uma determinada forma e é um pensamento muito masculino e os homens pensam da mesma maneira.

    Como assim?
    Continuo a ter mulheres no consultório que dizem 'eu não tenho orgasmos' e eu pergunto: 'mas não tem, por exemplo, através do sexo oral ou da masturbação?' e elas respondem 'sim, isso tenho!'. E eu fico: 'então ainda agora me disse que não tem orgasmos' e elas dizem que não têm orgasmo na relação através da penetração... mas 70% das mulheres também não têm, é só uma pequena percentagem que tem a exclusividade do prazer sexual só através da penetração.
    O clitóris é o órgão sexual principal de uma mulher, tem o dobro das terminações nervosas do pénis, é uma zona muito poderosa que estimula a mulher e se não houver esse tipo de estimulação direta ou indireta do clitóris, através do sexo oral por exemplo, são muitas as mulheres que têm menos prazer e menos capacidade de atingirem o orgasmo.
    Muitos homens e mulheres acham que a penetração é o supra-sumo do sexo, que o sexo é a penetração e esse é um dos grandes erros e o mito, que vem da ideia da procriação, pois através da penetração é mais fácil procriar. Já modificámos o conceito da sexualidade, já olhámos para o sexo como uma função do prazer, do entretenimento, mas, em termos da posição ou do ato, achamos que tem sempre de ser através da penetração, como se fosse o comportamento mais importante de todos.
    O resultado disto: há muitos equívocos. Eu explico isto a muitas mulheres e digo: 'se fazem tanta questão de terem um orgasmo com a penetração, porque não há estimulação a zona clitoriana em simultâneo com a penetração?' e elas dizem que não o fazem porque isso já foi feito antes da penetração. Para elas e eles o sexo é já lambi, já esfreguei, agora é a penetração, não há mistura. Mas há mistura sim, até porque muitas mulheres, no momento da penetração, perdem a sua excitação, a sua disponibilidade e o homem não, é 'eu já lambi, já fiz o que tinha a fazer'.
    A penetração é o momento em que os homens têm mais prazer, o pénis, de facto, fica quentinho, fica dentro de um saquinho que é a vagina, que tem lá dentro uns feitios internos que roçam no pénis e isso é interessante, mas para a mulher, a vagina internamente não tem muito interesse, não tem muitas terminações nervosas.
    Quando os casais começam a perceber o que ambos gostam e se pensarem, entre-aspas, em ganhar tempo com a estimulação, que não é só nas mamas e órgãos sexuais, é dos pés à cabeça, sem pressa, se calhar a mulher tem mais disponibilidade e desejo sexual e isso corre bem para os dois. Quando o interesse é muito apressado e eu estiver a fazer sexo como se estivesse a masturbar-me, ou seja, só a pensar em mim próprio, o sexo não tem interesse nem para um, nem para outro. Mesmo que eu tenha o orgasmo, isso não é sinal de que eu tenha uma relação íntima de qualidade, porque os orgasmos podem ser tipo arrotos, ou espirros ou ser orgasmos com letra grande, em que as pessoas se lembram deles. Os orgasmos, de facto, não são todos iguais e é possível obter orgasmos 'esfregando', tão simples como lavar a roupa no tanque.

    Mas essa ideia de que o orgasmo é só através da penetração é por culpa da falta de conhecimento ou porque as mulheres não exploram o próprio corpo?
    A mulher explora, mas o engraçado é que há mulheres que não tocam nos seus genitais, que se masturbam através da compressão das pernas. É uma forma de terem prazer, mas não tocando, porque lhes faz alguma confusão tocar nos genitais. Vejo muitas mulheres que não gostam que lhes façam sexo oral porque têm a ideia de si um bocado sujas, que cheiram a peixe ou não sei o quê.
    As mulheres são menos exploradoras, talvez, mas acho que são cada vez mais, só que ainda não estão ao nível da exploração masculina. Se os homens tivessem o pénis preso noutro sítio, no rabo ou nas costas, não tinham a mesma relação que têm com o supra-sumo da sua vida, mas quando não funciona também é o fim do mundo para os homens, acham que já não têm potencial ou interesse não tendo um pénis eficaz, isso também não é verdade.
    Esta questão da penetração faz com que, muitas vezes, a dificuldade de ter uma ereção iniba qualquer tipo de intimidade com uma parceira ou com um parceiro, porque se acha que o sexo é um pénis ereto. Esse é um dos outros grandes erros da sexualidade, é achar que o pénis é imbuído de todo o poder do sexo e que é assim tipo o bastião de não sei o quê.

    Mas isso é um pensamento um pouco preconceituoso...
    Sim, mas os homens têm esta coisa e depois vêm os 'viagras' salvar a humanidade masculina. Tinha deixado de haver ereção, então tinha-se acabado o sexo nas relações, mas toma-se um comprimido e passam a ter ereção e muitos deles continuam a ser incompetentes na relação, a não perceber as necessidades da parceira.
    Antes do Viagra, as mulheres estavam satisfeitas porque se tinham livrado dos parceiros incompetentes e de repente eles voltam a ter ereção, mas a competência não aparece com o comprimido, é com o compreender, com o dialogar, mas para dialogar também é preciso haver duas pessoas e o que acontece é que há um que até consegue dialogar, mas se outro não abre a boca, acha que não é preciso dialogar, tem pudor, então vai ficar tudo na mesma.

  4. Documentário animado "Le Clitóris"

    quinta-feira, 27 de julho de 2017

    O documentário animado Le Clitóris inicia-se como uma reflexão sobre a sorte que as mulheres têm por ter o único órgão no corpo humano dedicado exclusivamente ao prazer. Esta animação pode servir com uma divertida sessão de educação sexual ou como uma belíssima animação para toda a família – caso os pais precisem de um empurrãozinho para facilitar a resolução das dúvida dos seus filhos.

    Realizado por Lori Malépart-Traversy, foi o projecto de final de curso na Mel Hoppenheim School of Cinema, na Universidade de Concordia em Montreal, Canada. Já ganhou prémios em diversos festivais, um pouco por todo o mundo. O filme é resultado da combinação de gouache em papel com animação digital 2D durante três minutos de instrução obre um dos órgãos mais fascinantes do corpo humano.



  5. Alunos de Vagos protestam contra “homofobia”, BE pede explicações

    Duas alunas ameaçadas com processo disciplinar após serem vistas a beijarem-se na escola


    Inspecção-Geral da Educação investiga alegada homofobia na escola de Vagos

    O Director da escola em questão referiu que “não houve qualquer repreensão ou crítica à orientação sexual das alunas. Na passada segunda-feira, um elemento da direção falou com uma das alunas, num local reservado, pedindo alguma contenção, no sentido de as proteger”.
    Será que também reúne e pede contenção aos pares de namorados heterossexuais?!

  6. International Day Against Homophobia & Transphobia

    quarta-feira, 17 de maio de 2017


    TEACHERS, TAKE ACTION!
    Arguments for Action

    Schools can be violent places

    Although there are many examples of schools which have over the past few years consistently been working to create conducive and safe learning environments, research from many countries still reveals generally high levels of abuse, harassment and verbal or physical violence experienced by young LGBT people in schools.

    The stigma, discrimination and bullying they suffer goes against their right to education
    Studies have widely documented that bullying in school has a huge impact on learning achievement and dropout rates. It is a major obstacle to the right to education. Psychological damage, including low self-esteem, bear permanent marks on people’s lives and can lead to self-harming conduct, including suicide.
    Research in the US has shown that students who are bullied at school are more than twice as likely to report a suicide attempt than students who are not bullied.

    And these unsafe environments are bad for all students
    Beyond the terrible impact bullying has on the children and students who are perceived as different, it creates generally unsafe, discriminatory, stigmatizing and violent school climates.
    These climates have proven to have very negative effects on the learning outcomes of allstudents, not only the bullied ones. It is therefore in the interest of all to reverse the situation and allow education systems to construct societies, which are inclusive of diversity and respectful of the individual.

    Kids who are different from the majority gender norm suffer most from violence in schools
    Violence in schools reflects wider social problems such as racism, discrimination of people with physical and mental disabilities, etc. However, according to the United Nations World Report on Violence against Children (2006), most bullying is actually sexual or gender-based and targets those perceived as not conforming to prevailing sexual and gender norms.
    Young girls who are not ‘feminine’ enough and young boys who are not ‘masculine’ enough are specifically exposed to mockery, abuse, exclusion and violence.

    It not only goes against the individuals, but it undermines gender equality objectives altogether
    As this violence is bred by stereotyped gender roles (conforming to what is said to be ‘masculine’ or ‘feminine’), to let it happen unchallenged threatens the whole construction of a more gender equal society.

    Homo/transphobia is an entry point to tackle sex/gender-based violence
    Homophobia and transphobia are forms of hatred expressed towards people because they are, or are believed to be, homosexual or transgender. Homophobia and Transphobia are forms of gender-based violence because they are based on the assumption that all people should conform to the majority representation of what ‘masculine’ or ‘feminine’ behaviors are, or ought to be.
    This form of violence does not only affect children and students with different sexual orientations or gender expressions. Surveys have shown that 80% of people who have been exposed to homo/transphobic bullying define themselves as heterosexual.
    For teachers, fighting sex/gender-based violence is therefore an essential strategy to improve learning achievements for all and should be taken very seriously.

    Teachers worldwide are taking action
    Teachers know about the importance of a sustainable, safe and inspiring learning environment. They act everyday to provide it to their students and have often developed innovative approaches to tackling sexuality-related bullying in general, and homophobia/transphobia in particular, in the classroom. Nevertheless, teachers also often experience unease in raising this specific issue. This is why this initiative was developed. It focuses on making use of the International Day Against Homophobia and Transphobia as a good opportunity for action and to provide teachers with ideas, inspiration and material for action.
    The fact that the International Day Against Homophobia and Transphobia is recognized by many governments and international institutions, and is marked by UNESCO, provides a good argument for teachers to take action.

  7. ILGA recebeu 179 queixas de discriminação contra pessoas LGBT em 2016

    De acordo com os dados do relatório "Homofobia e transfobia: dados da discriminação em Portugal" o Observatório da Discriminação registou 179 incidentes no ano passado, 92 dos quais "correspondem à classificação de crimes e/ou incidentes motivos pelo ódio contra pessoas LGBT".
    (...)
    Segundo os dados do Observatório, entre as 92 situações que configuram crimes ou incidentes motivados pelo ódio contra pessoas LGBT incluem-se duas situações de violência física extrema, uma delas a um homossexual por parte de dois agressores, da qual resultou "danos na visão" e a necessidade de acompanhamento hospitalar.
    "Um segundo relato configura uma situação de violência de cariz sexual e envolve agressões físicas e coação para relações sexuais não consentidas com um grupo de homens", lê-se no relatório.
    Por outro lado, foram também identificados onze casos de agressão, que incluem relatos de agressões na rua, agressões a jovens por parte de elementos da família, seguidas de expulsão de casa ou arrastamento e expulsão de estabelecimento de lazer nocturno.
    O Observatório regista também de 33 situações de ameaças ou formas de violência psicológica, 38 incidentes discriminatórios, sete casos de discurso de ódio, "maioritariamente em contexto online" e uma situação de dano a propriedade, com um carro riscado, pertencente a uma mulher identificada como lésbica e vítima de insultos homofóbicos na sua área de residência.
    Além das situações de tentativa de agressão ou agressão concretizada, o Observatório registou também oito casos de violência sexual, entre cinco de assédio sexual, duas violações e um caso de abuso sexual.
    A maioria (55,3) das 179 denúncias foram feitas ao Observatório pelas próprias vítimas, tendo a maior parte dos casos (47) ocorrido em Lisboa, seguindo-se o Porto (9,5) e logo a seguir Setúbal e Aveiro, ambos os distritos com 4.
    Quase metade das vítimas (47,65) identificou-se como homem e cerca de um quarto (25,29) como mulher, sendo que, no que diz respeito à orientação sexual da vítima, 37,65 dos casos são relativos a homens gay, 19,41 a mulheres lésbicas e 17 a pessoas bissexuais.
    A idade média das vítimas situa-se nos 25 anos, tendo a vítima mais velha 80 anos e a mais nova 12. A maior proporção de idades situa-se entre os 18 e os 24 anos (34,12), o que demonstra que "a discriminação continua a afectar de forma mais significativa esta camada da população, geralmente caraterizada por uma maior vulnerabilidade".
    Também a idade média dos agressores é semelhante, com 21,7 entre os 25 e os 34 anos e 18,2 entre 15 e 24 anos.
    A grande maioria das situações denunciadas ao Observatório ocorreu em contextos e espaços públicos, nomeadamente na rua (23), na escola (16,15) ou no local de trabalho (15), além de 17 que ocorreram em contexto online.

    Fonte: Público

  8. Quando o corpo é uma prisão

    segunda-feira, 1 de maio de 2017

    Brilhante reportagem sobre a transexualidade. Isto sim, é serviço público.

    Jovens trans reuniram-se no Porto para partilhar experiências e sonhos. Alguns tinham 15 e 16 anos, mas as certezas vêm desde criança. Os pais quiseram fazer parte.

    1. "Eu nunca me imaginei como mulher"

    2. "Todas as noites imaginava o dia seguinte como se fosse um rapaz"

    3. "Tivemos pais a avisarem os filhos que isto ia acontecer"

    4. O que diz a lei. E o que poderá dizer

    5. "Quando era mulher tinha medo de andar à noite sozinho na rua. Agora não"

  9. Já nasceu (mas não sabemos se é menino ou menina)

    quarta-feira, 26 de abril de 2017

    Estava tudo planeado para o nascimento de Elsa. Era a primeira filha de Joaquim e Carlota e foi tudo preparado ao milímetro durante os nove meses de gravidez. As paredes do quarto que iria receber a recém-nascida foram cuidadosamente pintadas de cor de rosa por Joaquim, num fim de semana frio de inverno, para dar tempo a que o cheiro a tinta desaparecesse até à primavera.
    O berço foi oferecido pelas futuras tias, mas foi ao casal a quem coube a tarefa de o montar. Longas horas que não foram em vão: foi aí que decidiram batizar a filha com o nome de Elsa, em memória de uma das avós de Carlota — mulher com garra e sem papas na língua.
    Ainda faltava um mês para a data prevista para o nascimento e Carlota já tinha separado as três primeiras mudas de roupa para a bebé: cada uma delas num saco de pano, também cor de rosa, bordados com o número correspondente a cada um dos dias previstos que iria passar no hospital.
    Foi por isso tranquilamente que o casal se dirigiu a uma maternidade em Lisboa, quando Carlota começou com as primeiras contrações. Horas depois, foi encaminhada para a sala de partos. Com a emoção e o stress do momento, Carlota nem sequer se apercebeu que os médicos não disseram a frase clássica: “Aqui tem a sua menina!”. Por uma razão: não conseguiam ter a certeza se se tratava de uma menina ou de um menino.
    Elsa nasceu com ambiguidade sexual. A bebé apresentava um clítoris aumentado, uns grandes lábios parcialmente unidos e a uretra e a vagina a coincidir no mesmo canal, em vez de estarem separadas.
    Seguiram-se uma série de exames — a nível genético, imagiológico e hormonal — para se perceber o que se passava ao certo com a recém-nascida. Tudo apontava para uma menina: geneticamente era uma mulher (cariótipo 46XX), tinha ovários e útero. As alterações hormonais apontavam para uma hiperplasia congénita da supra-renal — os bebés com estas alterações podem apresentar desde um clítoris aumentado a órgãos genitais de aspeto masculino, mas os órgãos internos são femininos.
    É um nome complexo para designar uma das 40 variações de anomalias de diferenciação sexual ou alterações do desenvolvimento sexual (em inglês, Disorders of Sexual Differentiations ou Disorders of Sexual Development – DSD), que podem ser diagnosticadas durante a gestação, no nascimento do bebé, durante a infância ou apenas quando a criança chega à puberdade, explica a geneticista Ana Medeira.
    As alterações do desenvolvimento sexual podem ser diagnosticadas durante a gestação, no nascimento do bebé, durante a infância ou apenas quando a criança chega à puberdade.
    E revelam-se de diferentes formas: à nascença, os bebés podem ter genitais de aparência masculinos, mas internamente têm útero e ovários (hiperplasia congénita da supra-renal). Outra hipótese é as crianças nascerem com órgãos genitais femininos e só se descobrir que são geneticamente do sexo masculino quando surge uma massa numa virilha, suspeita de se tratar de uma hérnia, que acaba por se revelar um testículo; ou quando chegam à adolescência e não menstruam, porque não têm ovários e útero (insensibilidade completa aos androgénios – CAIS). Há ainda os casos em que os bebés nascem com pénis e testículos, mas muito pouco desenvolvidos (insensibilidade parcial aos androgénios – PAIS).
    Talvez o caso mais conhecido destas alterações seja o das “Guevedoces” (“pénis aos 12 [anos]”, traduzido literalmente): crianças de uma pequena comunidade na República Dominicana que nascem com o que aparentam ser genitais externos femininos, mas os genitais internos são masculinos. São registadas e educadas como meninas e depois, na puberdade, cresce um pénis e os testículos intra abdominais descem. São crianças que, na sua maioria, nunca se identificaram com o género feminino e que acabam por fazer a transição para o género masculino.
    As pessoas com este tipo de anomalias são por norma designadas de intersexo. Isto é, pessoas que nascem com características sexuais que não se encaixam nos conceitos típicos de corpos masculinos e femininos, lê-se num documento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos — nome que a comunidade médica deixou de utilizar por ser considerado preconceituoso.
    Um distúrbio raro, mas não assim tanto quanto se possa imaginar: afeta cerca de 0,05% a 1,7% da população mundial. Mais ou menos a mesma percentagem de pessoas ruivas existentes em todo o mundo. Em Portugal não é possível estimar um número concreto destas alterações, uma vez que não existe uma base de dados comum a todos os hospitais.


    (...)  (Ler o resto aqui)
    No caso de Elsa, a bebé começou a fazer uma medicação para regular o funcionamento da glândula supra-renal, mas também para impedir que ficasse com características masculinas. Aos 12 meses foi submetida a uma cirurgia de correção: o tamanho do clítoris foi reduzido, o feixe vasculonervoso foi conservado para manter a sensibilidade, os componentes do pénis responsáveis pela ereção (corpos cavernosos) foram separados e colocados sob os grandes lábios, e a uretra e a vagina foram separadas para que os genitais externos ficassem com um aspeto feminino — uma intervenção apelidada de genitoplastia feminizante com conservação dos corpos cavernosos.
    “Esta correção permite-nos, caso haja disforia de género [se mais tarde a criança não se identificar com o sexo de nascença ou atribuído] — o que acontece em 5% dos casos –, reverter a cirurgia se essa for a escolha futura do doente. Não se fazem mutilações”, garante Fátima Alves. “É uma cirurgia com muitos passos e delicada. É preciso que a vagina que vai ser reconstruída permita a função sexual no futuro”, acrescenta a endocrinologista Lurdes Lopes. 


    Mas o Governo quer alterar estes procedimentos. Na passada quinta-feira, foi aprovado em Conselho de Ministros um projeto de lei que proíbe a realização cirurgias corretivas, bem como de tratamentos que impliquem alterações ao nível do corpo ou de características sexuais, até que haja uma autodeterminação de género por parte da criança.
    “O diploma refere que não devem ser realizadas cirurgias em crianças intersexo, a não ser por razões de saúde clínica, e só devem ser feitas após a identidade de género estar expressa”, afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, ao Observador.
    Quando a criança manifestar a sua identidade de género, os tratamentos e as cirurgias serão feitas mediante consentimento do próprio e através dos pais ou representantes legais. “O que marca esta legislação é que fica definido quais são os procedimentos a tomar“.
    "O que marca esta legislação é que fica definido quais são os procedimentos a tomar", afirmou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, ao Observador.
    Este projeto de lei, que terá ainda de ir a votos no Parlamento, é uma maneira de regulamentar estas práticas, que se irão aplicar também às crianças de países africanos que venham a Portugal para ser tratadas. Aliás, o Ministério da Saúde irá elaborar “um protocolo de intervenção” para se definir como abordar estes casos. “É do superior interesse da criança definir regras“, refere a governante.
    Apesar da ambiguidade genital, os pais continuam a registar o bebé como tem sido feito até hoje — têm de optar pelo género masculino ou feminino. Mais tarde, e se assim o desejar, a criança poderá alterar o género que lhe foi atribuído. Caso este diploma seja aprovado, poderá fazê-lo a partir dos 16 anos e sem precisar de um relatório médico “como qualquer outra criança cuja identidade de género não se identifique com sexo”, esclarece Catarina Marcelino — a atual legislação só o permite fazê-lo aos 18 e com autorização médica.

    O projeto de lei prevê ainda que sejam adotados procedimentos para que, em ambiente escolar, as crianças “possam adotar o nome com o qual se identificam na sua expressão de género”. 
    (Ler o resto aqui)

    FONTE: Observador

  10. A Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, em colaboração com a Faculdade de Medicina e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, acaba de lançar um programa doutoral pioneiro a nível europeu, dedicado ao estudo da Sexualidade Humana.
    Destinado a psicólogos, educadores, médicos, enfermeiros, sexólogos e outros profissionais nas áreas da Saúde e das Ciências Sociais e Humanas, o PDSH – Programa Doutoral em Sexualidade Humana tem como objetivo promover o conhecimento avançado e o desenvolvimento de investigação nesta área de relevância central, quer para o bem-estar quer para a saúde biopsicossocial. Trata-se do primeiro doutoramento desta natureza no espaço europeu e um dos poucos a nível internacional.
    Com a duração de seis semestres, o plano de estudos do PDSH aborda as questões da sexologia clínica, género e identidade, educação sexual, medicina sexual e a saúde sexual e reprodutiva. Em perspetiva está ainda a criação de parcerias internacionais estratégicas, tendo em vista o estabelecimento de um centro de excelência internacional na área da sexualidade na Universidade do Porto e em Portugal.
    O curso já recebeu acreditação oficial da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, estando prevista a abertura de candidaturas para o ano letivo 2018/2019.

  11. 8 Ways Every Vagina Is Different

    quarta-feira, 19 de abril de 2017

    In a way, your parents weren't lying when they told you that you were a very special little girl. Not because you have unique talents that set you apart from the rest of the world (no, there are plenty of other people who can say the alphabet backwards); rather, it's because you and your vagina are totally, completely unique. There are no two vaginas in the world that look the same, smell the same, or feel the same. So yeah, I guess you could consider yourself a special chick.
     
    However, the specialness of your vagina is less due to something you did or didn't do in your life, and more to due with the fact that there is no such thing as a "normal" vagina. So whatever script you had playing in your head about what a "normal" vag is, go ahead and scratch it. That said, there are some basic indicators down there that tell you what's happening with your overall health. For example, noticeable dryness, itchiness, and a cottage cheese scent tell you you've got a yeast infection (and possibly that you're way too stressed out). However, for the most part, your vaginal quirks are just that — harmless quirks.
    Nevertheless, we still wonder whether the thickness of our labia is standard, or if the waviness of our pubes is ordinary. We can't help but ask these questions because the information we've been given about vaginas (and the stuff we see in porn) teach us very little about the varying shapes and sizes our pleasure boxes come in. So here's some reliable information to get you more acquainted.
    Here are eight ways everyone's vagina is different.


    [ler o resto aqui]

  12. International Seminar: Research in Human Sexuality

    terça-feira, 4 de abril de 2017


    Toda a informação aqui.

  13. Dia Internacional da Mulher #3

    quarta-feira, 8 de março de 2017


  14. A razão do deputado polaco
     
    As mulheres são bastante mais mal pagas do que os homens a desempenhar a mesma função. Os homens têm acesso aos melhores empregos nas melhores empresas. Eles dominam por completo as administrações do PSI 20 e há leis para disfarçar a coisa, tentando impor uma quota para elas.
    No Dia da Mulher, o DN procura fazer um retrato de como são as coisas no mercado de trabalho. Não há grande novidade e por isso é notícia. Do início da luta feminista até hoje passaram décadas, houve avanços, mas a discriminação continua a ser gritante. Eu tenho filhas e não sei como lhes explicar este mundo onde elas estão a crescer e onde um dia vão entrar no mercado de trabalho.
    Já tive de lhes explicar que o eurodeputado polaco Janusz Korwin-Mikke é um parvalhão. Um parvalhão que disse que "as mulheres devem receber menos porque são mais pequenas, mais fracas e menos inteligentes". Eu não quero que as minhas filhas cresçam ouvindo este tipo de coisas, mas teria um problema sério em explicar-lhes a primeira parte daquela conversa. Até porque estou convencido de que o conjunto da sociedade verdadeiramente não gostou de o ouvir dizer que elas "são mais pequenas, mais fracas e menos inteligente", porque quanto ao facto de as mulheres deverem ganhar menos a sociedade dá inteira razão a Janusz.
    A sociedade continua bastante machista, mais tolerante para ouvir as queixas das mulheres mas eternamente indisponível para lhes dar razão e acrescentar sentido prático ao debate pela igualdade de género, que vimos fazendo há décadas. Dividir riqueza sem handicap é coisa para uma conversa de séculos. Há lá coisa mais absurda do que a notícia que ontem deu o DN?: "Após o divórcio, os homens podem casar-se seis meses depois, as mulheres têm de esperar mais quatro." A lei é de 1967, mas nunca ninguém a quis mudar. É agora intenção do Bloco de Esquerda fazê-lo. Acham que o problema é o Janusz? O que fazemos dá-lhe razão, mesmo que pensemos o contrário.

    Artigo de autoria de Paulo Baldaia no DN online.

  15. Acima de tudo importa vincar que este não é um dia para prendinhas, parabéns e jantares! Ao invés, deve servir para fazer menção ao facto das mulheres não terem as mesmas oportunidades profissionais e quando as têm são mais mal remuneradas; pelo facto de serem penalizadas com a gravidez; pelo facto de serem tratadas como inferiores - vide, por exemplo, o presidente dos EUA ou o deputado polaco do Parlamento Europeu. Assim, o 8 de março deve servir para empoderar as mulheres, começando logo pelas mais novas.

     



  16. Par de cromos!

    quinta-feira, 2 de março de 2017





  17. "La sexualidad en las personas con diversidad funcional"

    segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


    Artigo super completo sobre sexualidade na diversidade funcional. É de leitura obrigatória. 
    Documento completo aqui

  18. Vai chegar?!

    terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

    Combate à violência de género e estereótipos vai chegar às salas de aula
    A questão da violência e dos estereótipos de género vai começar a ser tratada nas salas de aula, do pré-escolar ao 12.º ano, já a partir do próximo ano lectivo. “Estas questões têm que começar a ser trabalhadas no pré-escolar, para que as crianças as encarem como negativas desde muito cedo, tal como hoje fazem a reciclagem a partir dos três anos”, anunciou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

    Então mas esta temática já lá está. Melhor, esta temática já é obrigatória.
    Mais uma vez fazem-se programas e planos para se cumprirem os planos e programas anteriores que não foram cumpridos! Não seria mais interessante responsabilizar as escolas por fazerem aquilo a que estão obrigadas?! Enfim...

  19. 10 ano de Interrupção Voluntária da Gravidez

    sábado, 11 de fevereiro de 2017

    Há menos abortos, menos reincidência e nenhuma mortalidade materna: 10 anos de IVG

    Fonte: Expresso online