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  1. Diz Mauro Paulino, psicólogo clínico e forense, em entrevista ao Público de hoje, que:
    "A criança devia aprender desde cedo que zonas do corpo podem ou não ser tocadas – e caso isso aconteça a quem podem ou não recorrer. Há várias formas de ensinar isso. Uma criança com quatro ou cinco anos pode muito bem pintar num desenho a vermelho as zonas do corpo que não podem ser tocadas e a verde as que que podem. “Estas zonas a vermelho só quando a mãe dá banho, ou quando vais ao médico”, pode dizer-se-lhe. O facto de isto não ser ensinado aumenta a probabilidade de abuso. Todo o ensino passa por chamar pilinha e pipi aos órgãos sexuais em vez de pénis e vagina, que são palavras proibidas. Se a criança lidar com a palavra pénis ou vagina com normalidade desde tenra idade, se tiver que as evocar fá-lo-á com mais facilidade: alguém mexeu, alguém fez. Outra coisa básica que se deve ensinar à criança desde cedo é que uma coisa são surpresas e outra são segredos. O abuso sobrevive mais tempo através do segredo. Por isso, temos de ensinar-lhe que os segredos têm um prazo – a festa-surpresa para a avô, por exemplo – e não se têm com todos os adultos."

    Ler o texto completo aqui.

  2. Sexo.Amor.Vidas

    quarta-feira, 22 de abril de 2015

    Mais um guia de autoria da APF. Gratuito e muito bem elaborado, como sempre!

    "Este guia fala sobre o amor, o sexo, a sexualidade e as relações – os altos e baixos e o que está ou não na moda. Os sentimentos e as ideias sobre sexo e sexualidade são influenciados por tudo e por todos, incluindo os amigos, família, cultura, televisão, anúncios, revistas. Tantas informações, podem ajudar, mas também podem baralhar. Este guia dá-te uma informação clara para te ajudar a viver melhor o amor, o sexo, as relações e a vida de um modo gratificante e seguro. 
    A quem se dirige 
    Aos jovens adultos – homens, mulheres, sejam eles heterosexuais, bissexuais, gays, lésbicas, àqueles que não querem fazer sexo e àqueles que já o fizeram muito/pouco/nunca… a ti!"

    Está disponível aqui.

  3. Violência no namoro e redes sociais

    sábado, 18 de abril de 2015

    Um “gosto” no facebook também potencia a violência no namoro 
    Quatro em cada dez namoros são marcados por episódios de violência. Alguns envolvem ameaças com armas. Ciúmes e tentativa de controlo na origem das agressões

    Uma simples fotografia partilhada no facebook, por mais discreta que seja, de rosto ou corpo inteiro, ter cem “gostos” de desconhecidos, não acarretará, à partida, grande problema entre jovens casais. Mas a conversa pode mudar com um simples like de alguém da mesma turma ou da mesma escola. Sobretudo se for do sexo oposto. “É aí que muitas vezes começam os problemas e a violência nos namoros”, alerta um grupo de estudantes da Escola Lima de Freitas, em Setúbal.


    Estranha teoria? Até pode ser, mas é transversal aos depoimentos escutados pelo DN junto de jovens de 16 anos que participaram no seminário “Juventude de Setúbal diz não à violência no namoro”. Inês explica que um like colocado por um rapaz na foto de uma amiga da mesma escola suscita “forte tendência para os ciúmes” quando esta tem namorado. “A maioria dos rapazes e das raparigas não querem que os namorados tenham esses ‘ gostos’, porque acham que é como se estivessem a gostar delas ou deles”, acrescenta Letícia, enquanto Daniela prefere falar em “falta de respeito e de espaço” e Ruben lamenta que muitos casais da sua idade “até partilhem perfis no Facebook para controlarem tudo o que andam a fazer”.


    Rafaela não duvida que “a violência no namoro consegue ser quase secreta entre alguns casais da sua geração, mas está presente de várias formas”, e Bruno explica que ainda há muitos rapazes que batem nas namoradas “porque até há uns anos atrás era natural o homem bater na mulher”.

    É aqui que reside uma das preocupações da Associação de Apoio à Vítima. “Enquanto acharem que bater é normal numa relação, temos um problema grave”, justifica Balbina Silva. A representante do núcleo de Setúbal da APAV revela que cada vez que os técnicos vão às escolas deparam- se com casais de alunos para quem a “agressividade faz parte do namoro, pois consideram que ter ciúmes e controlar o outro é sinal de amor. Foram criados com esses conceitos”.

    Mas há números a sublinhar as preocupações. Um estudo do Instituto Universitário da Maia, realizado no Norte do país, a um universo de 1056 jovens inquiridos, apurou que 417 ( 39,5%) admitiram estar ou ter estado envolvidos em relações de namoro abusivas. A investigadora Sofia Neves, que dirigiu o inquérito, revelou que os atos são de natureza física, sexual e emocional, revestindo- se alguns de “particular gravidade”, por incluir ameaça com armas e apertos de pescoço. As raparigas praticam mais violência física ao nível da bofetada, mas sofrem mais apertos de pescoço, insultos, impedimentos de contactos com outras pessoas, perseguições e gritos.

    Já um segundo estudo nas escolas públicas no distrito do Porto concluiu junto de 107 raparigas que as causas de violência são atribuídas a problemas familiares, ciúmes, controlo, nervosismo dos rapazes, término das relações de namoro. Quanto às causas explicativas de violência sexual, o inquérito destaca a conduta das raparigas, vestuário e pressão social no sentido de perderem a virgindade o mais precocemente possível. Entre as estratégias para lidar com o sofrimento psicológico, destaca- se a automutilação, exposição pública de imagens de nudez, frustração, choro e depressão.

    Dados que não surpreendem Natividade Coelho, coordenadora do Plano para a Igualdade do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, um projeto que ambiciona fazer o diagnóstico entre “eles” e “elas”, desde as crianças do jardim- de- infância até ao 12. º ano, e que permita intervir na violência no namoro, mas também no abandono e sucesso escolar.
    FONTE: Diário de Notícias

  4. Violência no Namoro

    segunda-feira, 13 de abril de 2015

    Queixas por violência no namoro em meio escolar aumentam em 50% num só ano

    PSP recebeu mais de quatro participações por dia no ano passado. Eram menos de três em 2013. A subida superou o crescimento do total de ocorrências por violência junto da escola e no seu interior.

    Calúnia, difamação através das redes sociais. Injúrias, agressões. Humilhações, em privado ou frente a amigos. Perseguição, controlo de telefonemas e mensagens. Situações deste tipo passaram a ser frequentes nas participações em meio escolar feitas à PSP – ou seja, no interior da escola ou no espaço em redor. Isso não significa porém que esta seja uma realidade nova, mais grave ou mais frequente, diz o subintendente Hugo Guinote, chefe da Divisão de Prevenção Pública e Proximidade da Polícia de Segurança Pública (PSP).

    O que está a acontecer é um reconhecimento e uma maior consciência de que certos comportamentos que antes ocultados ou aceites socialmente são censuráveis. (ler o resto aqui)
    Fonte: Público

  5. O que faz aos adolescentes ver pornografia

    sábado, 11 de abril de 2015

    Recomendo a leitura deste artigo do DN de hoje a todos(as) os(as) educadores(as) e professores(as). É muito bom e versa sobre um assunto que não é consensual, mesmo na comunidade científica.

    (...) Confessando que ainda não teve sexo com alguém - "Nunca encontrei a pessoa certa, quero que isso aconteça quando estiver apaixonado." -, Roberto não tem receio de que o consumo de pornografia lhe tenha de alguma forma "viciado" as expectativas. "Compreendo que haja a possibilidade de haver pessoas influenciadas pelo jogo de papéis que há na pornografia, os homens dominadores, as mulheres submissas, a ideia do sexo sem contexto, dos corpos como objetos, mas isso é para quem não consegue separar a realidade da ficção. Eu sei que a realidade é diferente, que aquilo é feito com atores." Ainda assim, admite que pode ter sido algo influenciado pela forma como, naquele universo, as coisas se passam, até em termos do tipo de atos sexuais encenados: "Em certas coisas, sim. Mas deve haver partes em que é como ali e outras que não." (ler tudo aqui)

  6. Sem comentários!

    quinta-feira, 26 de março de 2015

    Homossexualidade ainda é considerada uma doença por alguns médicos
    (...) 
    A constatação faz parte do estudo Saúde em Igualdade - Pelo acesso a cuidados de saúde adequados e competentes para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans, realizado com recurso a 600 inquéritos, feitos entre Junho e Novembro de 2014. Especificamente em relação aos 249 inquiridos que estão a ser seguidos ao nível da saúde mental ou psicoterapia, pelo menos 27 pessoas (11%) afirmaram que o profissional de saúde lhes sugeriu que a homossexualidade é uma doença e pode ser "curada".
    (...)
    "Numa consulta, a médica, cuja especialidade era ginecologia, considerou a homossexualidade como uma doença, para a qual é necessário tratamento", refere uma mulher lésbica, de 21 anos. Outra, com 27 anos, conta: "A enfermeira que fez a triagem questionou a relação que eu tinha na altura com uma pessoa do mesmo sexo, dando a entender que era uma fase".
    ler o resto aqui
    fonte: público online

    Alguns depoimentos retirados do estudo:
     “A pessoa que me ‘entrevistou’ para efeitos de teste de HIV foi bastante indelicada julgando os comportamentos sexuais que partilhei ter feito. Fê-lo de uma forma desadequada, que me deixou bastante embaraçado. Não voltei mais àquele serviço. Na altura não apresentei queixa, mas devia tê-lo feito.” Homem gay, 27 anos
     
    “Perguntaram-me pelo meu parceiro, sem considerar que podia ter uma relação com uma mulher.” Mulher bissexual, 37 anos 

    “Levei algumas vezes ‘lições moralistas’ sobre a minha orientação sexual.”  Homem gay, 46 anos

    “Consultei um psiquiatra no final de uma relação. Após ter descrito todos os problemas que me levaram a consultá-lo, o comentário dele foi: ‘Mas porque é que uma menina tão bonita se anda a envolver com outras meninas?’. Dada a análise, levantei-me e saí.” Mulher bissexual, 38 anos 

    “Deixaram de me atender da mesma forma no centro de saúde assim que disse que a pessoa que fazia parte do meu agregado familiar era minha namorada.” Mulher lésbica, 24 anos 

    “Procurando criar empatia comigo, [o/a profissional de saúde] pôs-se a contar anedotas homofóbicas.” Homem gay, 58 anos 

    “Na primeira consulta com um ginecologista a reação à minha orientação sexual foi, apesar da tentativa de disfarce, de embaraço. Optou por não me observar, demonstrando total incapacidade de lidar com a situação.” Mulher lésbica, 37 anos

  7. Tema sexo quase não entra nas salas de aulas

    domingo, 15 de março de 2015

    Fala-se de sexo nas escolas mas quase só fora das salas de aulas. A educação sexual já quase não existe, ora por falta de estratégias ora de preparação de professores, que chegam a evocar objeção de consciência. (aqui)
    Não saímos da cepa torta!

  8. Bem-estar de crianças na parentalidade lésbica/gay

    quinta-feira, 12 de março de 2015

    Mais um mito que a ciência se encarrega de destruir.

    A Escola de Direito de Columbia, nos EUA, efectuou uma revisão de estudos internacionais  sobre o efeito da parentalidade gay/lésbica no bem-estar das crianças. Foram analisados 75 estudos, revistos por pares, e publicados em revistas cientificas, desde 1980.
    Concluiu-se que, 71 do total de 75 estudos, afirmam que não há diferenças entre o bem-estar de crianças criadas em contexto de uma relação heterossexual ou homossexual. Apenas 4 concluem o contrário, mas contém uma (grave) limitação: as crianças com mães lésbicas/pais gay foram misturadas com crianças de famílias que passaram por um divórcio, um grupo conhecido por enfrentar maiores riscos relacionados com o trauma da separação familiar.


    No abstract da revisão pode ler-se:
    We identified 75 scholarly studies that met our criteria for addressing the wellbeing of children with gay or lesbian parents. Of those studies, 71 concluded that children of gay or lesbian parents fare no worse than other children. While many of the sample sizes were small, and some studies lacked a control group, researchers regard such studies as providing the best available knowledge about child adjustment, and do not view large, representative samples as essential. We identified three studies concluding that children of gay or lesbian parents face added disadvantages. Since all three took their samples from children who endured family break-ups, a cohort known to face added risks, these studies have been criticized by many scholars as unreliable assessments of the wellbeing of LGB-headed households. Taken together, this research forms an overwhelming scholarly consensus, based on over three decades of peer-reviewed research, that having a gay or lesbian parent does not harm children.

  9. Dia Internacional Mulher na imprensa

    domingo, 8 de março de 2015

    De Pequim a Lisboa. Um longo caminho
    (...) E quando olhamos para o fenómeno a nível regional, o “em média” volta a escamotear a realidade. Há países que já deram um grande passo e estão na vanguarda. Portugal está a andar para trás. As estatísticas do Eurostat dizem que a disparidade salarial entre homens e mulheres diminuiu 0,9 pontos percentuais na União Europeia, para os 16,4%, entre 2008 e 2013. No mesmo período, Portugal registou o maior aumento na disparidade salarial, de 9,2%, para os 13%. (...) [tudo aqui]

    Editorial do Público
    ----- * -----

    “Continua a haver uma hierarquia masculina”, diz Isabel do Carmo
    No último meio século, a mudança do estatuto da mulher na sociedade portuguesa foi radical. Isabel do Carmo recorda histórias de outro tempo. 
    [tudo aqui]
    Fonte: Público online

    ----- * -----

    Opinião de Catarina Furtado no Público:
    Ao lado de uma grande Mulher há sempre outra grande Mulher
    A desigualdade entre os dois géneros significa que não estão a ser dadas oportunidades a milhares de mulheres no mundo inteiro para utilizarem o seu potencial e contribuírem para o desenvolvimento económico. [tudo aqui]


    -----*-----
    Ainda não estamos lá. Hillary Clinton pede às mulheres que protestem tirando a foto das redes sociais
    Antiga primeira-dama norte-americana convidou as mulheres a tirarem a sua fotografia do perfil das redes sociais, para mostrar que estão ausentes dos círculos políticos e dirigentes. (ler o resto aqui)

    Fonte: DN 

  10. Aproveito o facto de hoje se assinalar o Dia Internacional da Mulher para partilhar uma grande panóplia de materiais para trabalhar tópicos como: a igualdade de género; a violência doméstica; a violência no namoro; eliminação de estereótipos, mitos e preconceitos associados aos géneros; ... 

    # "1 Dia para Agir" - sugestão de actividades para trabalhar os tópicos atrás enunciados, no pré-escolar, no 1.º, 2.º e 3.º ciclos e no ensino secundário (aqui).


    # Kit Pedagógico sobre Género e Juventude - Educação não formal para o mainstreaming de género na área da juventude (aqui)


    # COOLKIT - Jogos para a Não-Violência e Igualdade de Género (aqui)

    # Poster "Investir em Igualdade" (aqui)

    # Sítios ONUMulheres - inúmeros informações, sugestões, declarações, vídeos, gráficos, ...

  11. O Centro de Psicologia da Universidade do Porto vai organizar, a 18 de Abril de 2015, o Seminário "Educação Sexual: da investigação às políticas e práticas".

    Todas as informações aqui.

  12. E o OSCAR vai para... a IGUALDADE DE GÉNERO!

    segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015


  13. O Amor Não Tem Rótulos

    quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015


    No dia dos Namorados, a Ad Council montou um ecrã de raio-X gigante numa rua de Santa Mónica, Califórnia, nos EUA e convidou todos os que passeavam na avenida a observar vários esqueletos a abraçarem-se, beijarem-se e dançarem.
    Perante a surpresa dos inúmeros espectadores, os esqueletos foram revelando-se ao público: primeiro um casal de duas mulheres; depois um homem e uma mulher de raças diferentes; duas irmãs, uma delas portadora de deficiência ou dois amigos de religiões diferentes. Tudo para mostrar a capacidade que o ser humano tem de amar e eliminar os julgamentos baseados no que se vê – seja raça, idade, género, religião, sexualidade ou incapacidades.
    “Antes de tudo o resto, somos humanos”, lê-se no site da campanha “Love Has No Labels” (“O Amor Não Tem Rótulos”), onde é possível aceder a relatos em primeira mão sobre discriminação e responder a quizzes sobre o assunto. “É altura de abraçarmos a diversidade. Vamos pôr de lado rótulos em nome do amor”, pedem.


    Fonte: Público online

  14. A Educação Sexual no reino do "faz-de conta"

    domingo, 15 de fevereiro de 2015

    Eu ando a dizer (e a escrever) isto há muito tempo!

    Educação Sexual no currículo para acabar com "faz-de-conta"


    "...a especialista Zélia Anastácio, da Universidade do Minho, afirma que em Portugal “a lei está longe de estar cumprida” e que o que se passa nas escolas, neste campo, “é uma espécie de faz de conta”. Para inverter a situação defende a instituição de um tempo definido no horário dos alunos, em todos os ciclos de ensino, dedicado exclusiva e especificamente à matéria; o aumento do número mínimo de horas destinadas ao tema bem como a sua distribuição ao longo do ano lectivo; e uma aposta na formação dos professores em contexto de trabalho.
    “Tenho a perfeita noção de que a sugestão de integrar um momento dedicado à Educação Sexual nos horários dos alunos assusta muita gente. Porque – e eu concordo – a Educação Sexual não é, nem se pretende que seja, uma disciplina. A questão é que esta pode ser a única forma de sair da situação em que caímos”, justifica a investigadora.
    Em entrevista ao PÚBLICO, fez notar que “as áreas curriculares não disciplinares nas quais Educação Sexual devia ser integrada (como a Formação Cívica, por exemplo) acabaram entretanto” e que “a abordagem numa lógica de transversalidade, inerente a todas as disciplinas, também prevista na lei, está a resultar numa desresponsabilização”. “O que se verifica é que todos podem fazer e, na verdade, ninguém faz”, afirma Zélia Anastácio."
    Ler o resto...                                                                                                     FONTE: Público online

  15. Campanha contra a Violência no Namoro

    sábado, 14 de fevereiro de 2015


  16. sábado, 7 de fevereiro de 2015



  17. Por muito que se diga o contrário, a minha experiência e, no caso, as pesquisas afirmam que a educação sexual não acontece, de forma aceitável, na maioria das escolas. Para além de estarmos perante um desrespeito da lei, estamos a contribuir negativamente para a saúde e para a felicidade de um enorme número de crianças e jovens.
     
    Esta notícia do Correio do Minho cita um estudo coordenado por Zélia Anastácio onde se concluiu o atrás explanado.

    "Um estudo da Universidade do Minho revela que a generalidade das escolas dos ensinos básico e secundário “está em incumprimento da lei” no que diz respeito à educação sexual. Apesar de existir legislação desde 1984, ainda há professores “objetores de consciência” e instituições que preferem evitar “questões fraturantes”, como o aborto e a orientação sexual, afirma a investigadora Zélia Anastácio. A solução está na realização de ações capazes de formar devidamente os profissionais, desinibindo-os perante determinados temas e derrubando conceções erróneas que limitam a sua atuação.
    A especialista, que trabalha o tema da sexualidade há quase duas décadas, está a coordenar um projeto, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, que visa munir os professores e técnicos de escolas e instituições de acolhimento de competências para o ensino “adequado” da educação sexual. Na prática, pretende-se que estes profissionais saibam planear projetos educativos que respondam às necessidades reais das crianças e dos jovens. Dos cerca de 150 docentes envolvidos no estudo, a maioria referiu não se sentir “preparada” para lecionar educação sexual, “por esta não se relacionar com a sua área de formação”. Um receio que foi ultrapassado com a participação em formações intensivas."

    Ler o resto aqui.

  18. Divulgação de Congresso de Educação Sexual

    sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

    No âmbito do Projeto CESMEMI, vai realizar-se, a 26 e 27 de Março de 2015, o "Congresso de Educação Sexual em Meio Escolar e Meio Institucional". Vai acontecer na Universidade do Minho.
    Todas as informações sobre o Congresso e o Projecto CEMEMI encontram-se aqui.

  19. Partilho este interessante artigo de Isabel Stilwell no Jornal i.

    "Para sermos menos coelhos, precisamos de mais Educação Sexual. Aquela que tem sido boicotada nas nossas escolas
    Declaração de interesses: sou uma sétima coelha, de uma família de oito coelhos. Estou muito grata por a minha mãe não ter feito as contas, porque tenho tirado muito partido de 54 anos que já cá cantam. Ressalvo que nunca senti que o facto de não ter sido planeada resultasse nalguma discriminação em relação aos seis coelhos que me antecedem.

    Primeiro achei pilhas de graça à imagem que o Papa utilizou para tornar claro que os bons católicos... não precisam de se reproduzir como coelhos. O próprio estava com o ar mais sério deste mundo e inclusivamente pediu desculpa pelo uso da expressão. Mas a mensagem já tinha passado. Pode agora vir meio mundo dizer que não afirmou nada que não estivesse nos documentos da Igreja há uma eternidade, mas a verdade é que numa simples frase Francisco tornou a política da Igreja em relação a este assunto mais clara que todos os outros antes dele. Bingo!

    Segundo, quando ouvi as declarações deitei as mãos à cabeça e pensei que o pobre ia ouvir um sermão mal aterrasse em Roma. Fiquei muito triste ao ver que precisou de vir prestar esclarecimentos. Os mal-entendidos só podem resultar de má-fé e falta de sentido de humor. É pena que tenha de lhes passar cartão.

    Terceiro, achei lamentáveis as reportagens dos dias seguintes, em que os jornalistas foram a correr à procura de famílias com muitos filhos para lhes perguntarem se tinham tido aquelas crianças porque queriam! A questão era, desde logo, impossível: quem é que vai dizer a um jornalista "olhe sim, este e este foram planeados, este foi um azar, e agora este aqui..."
    Até porque planear não é sinónimo de desejar, e muito menos de amar - como todos os pais sabem, no momento em que se pega num filho ao colo não se concebe que pudesse não ter existido.

    Quarto, não entendo porque é que os métodos contraceptivos não abortivos não estão incluídos nos meios que "Deus nos deu de sermos responsáveis". Suspeito que certa Igreja teme que sem o medo de uma gravidez, encarada aqui como castigo, os comportamentos sexuais dos católicos passariam a ser como os dos coelhos.

    Quinto, dito isto, parece-me inacreditável o pouco que se conhece dos métodos naturais, que não implicam encher o corpo feminino de hormonas, e que são cada vez mais científicos e fiáveis. Só conhecendo as alternativas se pode fazer uma escolha livre.

    Sexto, o relatório da OCDE divulgado esta semana sobre as escolas revela que o impacto de 90% dos programas e medidas implementadas pelo Ministério da Educação de 2008 a 2014 não foi avaliado. Entre eles estão certamente os programas que, em conjunto com o Ministério da Saúde, previam a Educação Sexual nas escolas, e que foram sucessivamente boicotados. Porque raio se há-de aprender o aparelho reprodutor do coelho e deixar o humano, e todas as suas implicações, de fora? Como é possível que alguns sectores, nomeadamente da Igreja, resistam a que faça parte da aprendizagem dos nossos filhos, sem medo de que mais informação leve a mais riscos, quando todos os estudos indicam que acontece precisamente o contrário? Afinal como é que podemos ambicionar uma paternidade responsável para todos, católicos ou não, se os alunos das nossas escolas não forem ajudados a conhecer-se melhor a si próprios, a entender os seus sentimentos e emoções, a respeitar os outros e a si mesmos? Nunca entendi que aqueles que mais advogam a importância dos "valores" da família, que se aprendem em casa, depois tenham medo que os filhos os percam no primeiro embate com a realidade. Ou com os coelhos."